Primeiro SPOT de TV do Capitão América, O Primeiro Vingador!

Saiu ontem (06/02/2010) no SuperBowl (o maior evento desportivo e a maior audiência televisiva dos EUA), o Spot do filme ‘Capitão América: O Primeiro Vingador

Imperatriz: Imprensa, pseudos comunicadores e politicagem

Kurt faz uma severa e realista crítica sobre a imprensa de Imperatriz

Ensaio do Diabo

Um ensaio escrito pelo próprio "tinhoso"

Lady Gaga lança "Born This Way" nesta sexta-feira

Lady Gaga está tendo dificuldades em controlar sua ansiedade.

Faroeste Caboclo: Fabrício Boliveira e Ísis Valverde protagonizam a adaptação ao cinema

Música será adaptada para o cinema

25 de novembro de 2010

Conto: A Queda do Conde Bóris Pelo Seu Rival Maximiliano

Bóris Conde Bóris é o nosso gato mais velho e experiente. Tem seu próprio campo de caça, que fica na área arborizada no fundo da nossa casa, lá ele escorraça qualquer cachorro ou gato que entre naquele limite. Na mocidade se vangloriava de uma fama de grande caçador e tinha um método todo especial pra demonstrar seus atributos desportivos, quando caça um rato, coelho, lagarto ou cobra, anda de um lado ao outro até achar a dona, e coloca a presa orgulhosamente a seus pés. Essa mania de demonstra toda sua bravura e determinar, por vezes o coloca em deveras situações embaraçosas, como quando ele traz pro chão da sala uma cobra de um metro e meio pra grande horror do seu público humano. Mas, seja o que for, Bóris nunca se priva de publicidade, seu Ego agüenta muita coisa. Se fosse humano, levaria repórteres especiais pra suas caçadas e no regresso puxaria o saco de todo mundo com jantares cheio de glamour e ostentação, mesmo sem ter faculdade de publicidade, Bóris ia muito bem.

Acredito que os atores de teatro aprenderiam muito em observar a expressão corporal de Bóris, ainda mais quando o assunto fosse “dignidade aristocrática”, pontuada com um ar de arrogância desdenhosa. Muito seguro de si, pavoneia-se pela rua, sem pressa alguma e muito menos sem se preocupar com sua proteção pessoal, por carros que buzinam ou cães que latem, mas não ladram. Quando aparece algum cão novo na vizinhança e o confunde com qualquer gato vulgar e de rua que pode ser perseguido por prazer, Bóris costuma andar mais devagar e posiciona-se na frente do inimigo em potencial, assumindo a pose e a expressão da esfinge. É a imagem por excelência, da serenidade e do perfeito controle emocional. Conde Bóris é conhecido por caçoar de seus inimigos, costuma bocejar muito delicadamente a poucos centímetros do cão raivoso, que fora de si, grunhe com quem solta impropérios ao ver aquela reação, como se aquele gato fosse alguém da alta-classe perante o tédio.

Houve alguns cães que ignoraram a hipnose daqueles olhos cor de mel e partiram pra cima do felino aristocrata, mas esses só puderam ver um trovão de Maximiliano pêlos laranja com garras afiadas ferindo seus focinhos, a fama é tanta que não se pode ver cães de outros lugares. Por anos o reinado de gato da casa nunca colocou Bóris em cheque. Foi então que apareceu Maximiliano, um jovem e bonito vira lata de pelo cinza rajado. Não havia nenhuma dúvida, Maximiliano sabia lidar com as senhoras. Enquanto Bóris o via só como um gatito travesso cujo o senso de humor prevalecia sob o senso de dignidade, Maximiliano foi conquistando todos os corações e, sempre que aparecia recebia todos os holofotes, isso foi demais para o Conde. Bóris sentia-se incomodado com aquela coisinha presunçosa que arqueava o lombo ao avistar uma mão humana aproximando pra acariciar. Bóris sentia de forma cínica que seus dias de glória chegaram ao fim e pior, por um rival ao indigno. Mas ele nunca se rendeu sem uma boa luta e custe o que custa, ele recuperaria seu trono, sua honra e sua glória.

Partiu para a caçada noturna, com o coração frio de um assassino e decido de fazer com que as luzes dos holofotes voltassem para sua persona felina. Todo dia ele aparecia com ratos cada vez maiores, coelhos cada vez maiores e cobras cada vez maiores e aterrorizantes. Tudo em vão. Fez até o papel de herói salvador quando seu rival indigno ficou trepado numa árvore, acuado pelo cão do português da vendinha. Trepou calmamente num dos galhos e aplicou um de seus vários golpes poderosos no focinho do tal cão. Quando Maximiliano desceu da árvore, Bóris lhe dirigiu um ar de superioridade de um cavalheiro benevolente, como se acabasse de salvar uma alma perdida, não por que ela merecesse, mas por que ele era assim. Esta atitude magnânima lhe rendeu uma certa vantagem, pena que momentânea, já que os corações humanos sempre se rendiam ao se deparar com aquela coisinha sedutora. Então Bóris habitou-se a fica sentado no seu cantinho da casa, observando Maximiliano degustando os melhores nacos de carne, onde recebia todo tipo de meiguice.

Foi nesta altura, que para tristeza da família, Maximiliano desapareceu, um busca foi feita, mas ele desapareceu sem deixar rastro, como se uma bruxa o tivesse levado de uma vassoura. Muito tristes, juntamos os seus brinquedos que ele deixara espalhado pela casa: um pedaço de barbante com uma bonequinha de pano amarrada na ponta, uma bolinha colorida e alguns soldadinhos de plástico. E, com estas recordações, fizemos um montinho e colocamos na sua cadeira preferida.

- Há de voltar um dia! – dissemos nós.

Aconteceu uma mudança notável no Conde Bóris Sant’Anne. Faz muito tempo que o consideramos um caçador valoroso e lutador de primeira, mas também sempre o achamos insensível, frio e distante, aliás, como era natural, já que fazia questão de carregar tal fama. Qual não foi nosso espanto ao ver que ele se tornara, do dia pra noite, um gato caloso nas suas demonstrações de afeto e desejoso de nos fazer esquecer o outro que havíamos perdido. Era comovente como ele nos seguia pra todo canto da casa e sempre quando parávamos para descansar, poderíamos sentir aquele felino corpulento com as quatro enormes patas para cima, todo faceiro e ronronando. Aquele ar de rei do pedaço voltou, como se tivesse ganhado uma guerra, como se o velho rei voltou ao lar, ao controle da situação. Uma vez nós o encontramos esticado desdenhosamente em cima dos brinquedos que se amontoavam sob a cadeira preferida de Maximiliano, devia ser uma cama um tanto quanto desconfortável, mas Bóris parecia totalmente confortável. A suspeita assaltou imediatamente sua dona.

- Bóris! – Disse ela bufando de zangada – Acho que você sabe o que aconteceu com lindo Maximiliano!

O acusado ergueu-se em toda sua estatura, olho-a com uma expressão gravemente inocente de um santo ultrajado e depois, virando-lhe deliberadamente as costas e voltando a dormir o sono dos justos. Mesmo assim as suspeitas não cessaram.

- Bóris está se esforçando por demais pra ser bonzinho. – Diziam eles – Não é nada natural. Deve ter alguma coisa pesando sua consciência!

Pois essa poderia ser uma boa maneira de Bóris erguer uma boa defesa, de esconder as maldades. Nós já havíamos constatado no passado. Isso era uma grande humilhação pra um espírito orgulhoso, como era o de Conde Bóris e ele demonstrou seu ressentimento saindo de casa e batendo a porta, como todo macho ofendido.

A família seguiu-o de longe. Ele foi direto pro fundo do terreno, seu campo de caça e território, seu pequeno país, onde ele era o ditador. Ele começou a olhar pra uma clareira, com as orelhas baixas e uma expressão maldosa, que ia dos bigodes nervos até a cauda agitada, não parecia com nada o gato carinho de minutos atrás. Quando nos aproximamos, ouvimos um choro fraco, baixo, assustado. Bem no meio do arvoredo, descobrimos nosso Maximiliano, fraco e esfomeado que mal se agüentava em pé, alquebrado pelo seu carcereiro. Quando Bóris percebeu nossa aproximação, bateu em retirada, pois sabia que a brincadeira acabou. Com um desprezo desdenhoso, ficou a nos observar recolher o rival banido, a dar-lhe comida, leite e muito carinho. Com que artimanhas Bóris havia mantido Maximiliano encarcerado, mesmo ali, ao nosso alcance? Que mágica ele lançou sobre pobre gatinho que nem sequer respondia aos nossos chamados?

Ismael Almeida

23 de novembro de 2010

Ensaio: Com vocês, ensaio do Diabo

"O mal do mundo é que Deus envelheceu e o Diabo evoluiu."
(Millôr Fernandes)

Venho por meio dessas palavras demonstrar toda minha indignação e revolta sobre tudo que me acusam e também pra comprovar que essa injúria não faz sentido, acreditem não sou o pai da mentira, então isso é sincero por demais. Desde que criaram o cristianismo, me acusam de assassino, mentiroso, opositor e tudo que for contrário a Javé, minha contraparte do “bem”, mas isso é uma puta de uma mentira!

  Minha imagem ficou associada ao medo, ao feio, me colocaram chifres, asas de morcego, pés de bode e um tridente, me deram uma cauda e um “sorriso diabólico”, desculpe o trocadilho. Sabem por que colocaram essa imagem? Por que a igreja não podia combater as outras crenças pagãs, então colocaram um pedacinho de vários deuses pagão num figura dita maldosa, pra assustarem, já que eles poderiam perder fiéis pro paganismo, melhor montar um plano de marketing, que tal?

Falar em Marketing, até o antigo testamento, o mal não tinha forma, eu vivia minha vida em paz, afinal de contas, se Deus é o senhor e dono de todas as coisas, o mal também é criação dele. O mal é conseqüência da desobediência do homem, logo, não há necessidade de Satã. o Antigo Testamento é permeado por uma visão *monista, onde Deus é que garante a ordem cósmica e qualquer ser ou pessoa que pretenda atrapalhar esta ordem, recebe a devida retribuição por sua desobediência. Neste sentido, pode-se dizer que no Antigo Testamento o mal praticado pelo ser humano traz embutido em si o castigo. Assim sendo, seria correto afirmar que o Deus Javé é o originador de uma série de males em retribuição ao mal praticado pelo ser humano, todavia ele não é o causador do mal em um sentido moral.

Kunst Hitler Então por que me acusam tanto? As pessoas precisam de um bode expiatório, então me elegeram, o que me deixa mais puto da cara é que eu não fiz nada, desde que esse mundo é mundo, foram são elas que quebram o limite, o limite que elas mesmas criaram, olha o caso de Jesus, meu amigo, diga-se de passagem,  desde criança, nasceu humilhado, no meio dos bichos, cresceu e se tornou um homem a frente de seu tempo, cheio de mensagens de paz e amor, amor ao próximo, amor sem preconceito e o que os humanos fizeram com ele? Mataram-no! Distorceram tudo que ele disse, criaram igrejas no nome dele, fazem guerras em seu nome, criam negócios em seu nome, vocês glorificam mais a morte dele do quem ele foi, colocam imagens desse bom homem semi-nu, morto e pregado de forma humilhante numa cruz em todas as casas cristãs, isso é muito macabro, sórdido. Infelizmente ele fracassou, quer dizer, depois de tudo que ele fez, continuam a fazer tudo errado. Fiquem sabendo que ele lavou as mãos por vocês, agora está vivendo a vida dele, acredite, só erramos uma vez. Jesus foi o bode expiatório dos pecados, ou seja, o lado negro da humanidade, acredite, não precisei mexer uma palha pra isso.

Seres humanos são fracos, altamente corruptíveis e o mal desse mundo é o medo, vocês podem reparar, tudo nesse mundo foi criado na base do medo, capitalismo, religiões ocidentais. Consciente ou inconscientemente o medo domina vocês, chega a ser algo irracional, criaram uma sociedade **hedonista, massacram-se entre si, se roubam e destroem a própria casa, acham-se superiores, mas acreditem, até uma formiga é moralmente evoluída. Você são fracos ao ponto de só quererem alimentar a carne, essa casca que no final das contas não vai servir pra tanta coisa, é pra alimentar a carne que vocês se drogam, mesmo sabendo de todos os riscos, é pra alimentar essa casca que vocês se tornam piores. Eu não preciso fazer nada pra vocês se destruírem.

President-George-W-Bush  Vocês sempre precisam de um culpado, não fui eu que destruí a humanidade tempos atrás num dilúvio, muito menos eu que criei a pedofilia, tão popular entre seus sarcedotes, você são tão atrasados que se odeiam, por motivos banais, por uma dita diferença (racial, monetária, valores morais, crença), não foi em meu nome que derrubaram o World Trade Center. Eu amo música, mas dizem que eu sou o Pai do rock, quem me dera, diziam que bluseiros da velha guarda faziam pactos comigo, vocês não podem nem se contentar com a própria genialidade musical, se espantam com tudo que não conseguem entender, precisam de desculpas e atacam tudo aquilo que os afronta, seus costumes e pseudo bons modos. Não fui eu que matei vietcongues, não fui eu que fui o “paparazzi-algoz” da Lady Di, não sou que entra atirando nas escolas, muito menos eu que vendo drogas, não fui que matei Judeus na Segunda guerra, muitos menos eu que elegi qualquer político corrupto, não preciso dar nada a ninguém, é tudo de vocês, criação de vocês, mas por conveniência de alguns seres humanos egoístas, não partilham entre si o que criaram. É tudo uma divisão, criaram sistemas políticos, classes sociais, objetos de luxo, primeira classe, entradas vip, drogas. Vocês cobram por coisas que seriam pro seu próprio bem da espécie, cobram pelas curas de suas doenças, cobram por sexo, aliás vendem sexo, que é algo tão natural que nem deveria provocar polêmica, daqui alguns anos vocês vão terceirizar a paz mundial ou a cura da AIDS.

osama.bin.laden Mesmo assim, tem humanos que dizem que eu sou culpado, sabe o que me deixa mais furioso? É que vocês não assumem o próprio erro, a própria fraqueza, não passam de criancinhas assustadas, procurando razões pra provarem que tudo de ruim nesse mundo não é por culpa de vocês. Vocês esperam que eu mande um filho meu, dito anticristo, pra trazer todo caos e desgraça, mas a sua sociedade já ta assim faz um bom tempo e sabe onde ta o diabo nisso tudo? Em vocês! O anticristo é vocês, em cada ato de maldade, em cada ignorância plantada em seus corações, não é preciso vir entidade nenhuma pra provocar esse tipo de coisa, se por acaso viesse alguma, não teria nada pra fazer, vocês já fizeram todo trabalho.

O que me deixa mais aliviado é que o mundo não vai acabar, como uma parcela de vocês acreditam, o mundo sempre soube se virar, a mães natureza só está se livrando de um câncer, virão outras espécies dominantes, .pode ser que comecem tudo do zero, mas uma coisa é certa, vocês não estarão aqui pra acusar mais ninguém.

Atenciosamente: O Diabo.

 

N.D.A:

*Monista: Chama-se de monismo (do grego monis, "um") às teorias filosóficas que defendem a unidade da realidade como um todo (em metafísica) ou a identidade entre mente e corpo (em filosofia da mente) por oposição ao dualismo ou ao pluralismo, à afirmação de realidades separadas.

Algumas religiões pagãs, como é o caso da Wicca, utilizam o conceito de monismo para explicar a crença de que tudo o que há foi criado por uma única divindade, neste caso, a figura de uma Deusa Mãe como entidade cósmica primordial. Essa crença se baseia no fato de que, na natureza, os únicos seres capazes de gerar vida, de criar, são as fêmeas.

**Hedonista: O hedonismo (do grego hedonê, "prazer", "vontade") é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, e importantes representantes foram Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo filosófico moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

Ismael Almeida

18 de novembro de 2010

Ensaio: Preenchendo as Lacunas no Espaço

"As tragédias dos outros são sempre de uma banalidade exasperante."
(Oscar Wilde)

Olhe todo aquele sangue escorrendo pelo chão, sinto que a multidão espera por algo mais, me sinto exposto, logo naquilo que tentamos esconder. Vejo uma luz ofuscando a cena, tentando preencher as lacunas no espaço e do tempo. Os amantes ficam com seus braços entrelaçados numa pose final, por que a história está chegando ao fim, mesmo assim ainda permanece todas aquelas coisas que tentamos esconder, posso ver nos seus olhos.

tvtEscolhemos o enquadramento perfeito da cena, é puro ódio jorrando da tela, aquela luz ainda ofusca, na tentativa de preencher as lacunas do espaço, a multidão olha apreensiva, admirando cada gota de sangue, cada humilhação, cada ato de maldade, esperando pelo grande fim, com olhos ofuscados pelo brilho que tenta preencher toda loucura do espaço e do tempo. É puro caos saindo da tela.

Um disparo, corpos caídos no chão, uma explosão, mais um acidente, um choro, pessoas morrendo, a platéia pede mais, fazendo o sangue derramar quadro a quadro, excitada pela desgraça alheia como quem espera um orgasmo, editamos a cena da pior maneira possível, dirigindo uma película manchada de tragédia, ofuscados pelo brilho que preenche a lacuna e a loucura do tempo e espaço, mascarando nossos pecados.

 

Ismael Almeida

[Sobre o fascínio dos seres humanos pelo sensacionalismo da morte e demais tragédias em cena na TV]

17 de novembro de 2010

Crônica: Uma Chamada Para Acordar

É contra a lei matar uma mulher que nos traiu, mas nada nos impede de saborear o fato de que ela está envelhecendo a cada minuto.

(Ambrose Bierce)

 

Eu sou um cara legal, quer dizer, eu trabalho, faço tudo por aquela mulher, pra você ter uma idéia, fiz das tripas coração pra poder comprar aquele maldito anel de diamantes. Eu sou louco por ela...Mas o que eu estou fazendo?

Ta certo que dessa vez eu não ouvi o que você estava dizendo, por que eu vivo de emoções minha doçura, só respondo suas perguntas com “nunca” ou “talvez”, e você acha que eu tenho que ser amável? Não tem como ser isso se você me traiu! Então que merda é você pra dizer que não teríamos conseguido, hein meu anjo? Porra, se você precisa de amor, merda, então peça amor, eu poderia ter te dado esse amor, mas agora estou tirando qualquer resquício disso em mim. Nem tente colocar a culpa em mim, isso não é culpa minha, vocês dois se merecem o que estar por vir, então não diga nada.

Eu não queria ver, meu subconsciente fez questão de me fazer acreditar que era só uma impressão, eu ignorava os sinais, os malditos sinais, clichês irrefutáveis, daqueles tirados de algum filme dos anos 70 ou qualquer novela barata e como de praxe tive que viajar...O telefone toca, recebi uma maldita ligação de alguém me dizendo que alguém (leia-se um “other guy”) estava na minha casa...Com minha mulher. Imagina como eu acordei, peguei o primeiro avião pra lá, com os olhos cegos de ódio, a única coisa que eu conseguia visualizar era como deveria dar um fim nisso.

Peguei você de manhã, com outro na minha cama, você não se preocupa mais comigo?

waka up callPorra! Preocupa? Me responde caramba! É, eu acho que não. 1.80 metro de altura vindo pra minha direção, então tive que atirar e ele não virá mais por aqui.

Vir por aqui?

Eu acho que não.

Eu teria sangrado pra te dar uma porra de felicidade, você não precisou me tratar daquele jeito e agora você me venceu na porra do meu próprio jogo, mas pelo menos agora eu posso dormir tranqüilamente e seu amante fica lá gritando bem alto, até eu ouvir as batidas no chão cessarem e sinceramente, eu não me sinto tão mal.

Ismael Almeida

[Inspirada na canção “Wake Up Call” do Maroon 5]

16 de novembro de 2010

Crônica da Segunda: Sangue Fresco

Kurt MachineO Sol se põe em um dia de desculpas pelas crianças que rezam esta noite, eu sei que você está pronta pra cama, mulher bonita que não saí da minha cabeça. Sinto-me atraído pelo seu coração que bate tão vivo, ritmo que me leva ao estado de luxúria que chega ao ponto de esquentar minha pele fria. Achei você vagando por aí, a noite é perigosa pra um rosto como o seu. Estou cansado da mesma velha merda, docinho, eu preciso do seu sangue fresco.

Eu uivo!

A lua brilha no céu de outono, cresço no frio aonde todos morrem, estou mais só do que jamais estive e você não pode ajudar, não do jeito que eu estou, sinto atração por corações quebrados após incêndios antes do dilúvio, querida, eu preciso do seu sangue fresco. O que você quer que aconteça com minha ansiedade? Adoro olhar você aqui do escuro, observando sua vida normal, você diz que meus olhos são mortos, você acredita que não sou daqui, em seu coração você não sabe que é real, num momento de clareza, seu ato desprezível de caridade: Eu quero que você me tire dessa lama. Meu anjo preciso do seu sangue fresco!

Whoo!

Você não consegue ver que eu só quero seu sangue fresco?

Ismael Almeida

[Inspirada na canção "Flesh Blood" da banda Eels  e originalmente publicada no Jornal Folha da Região, especial 'Dia das bruxas'.]